Vaginose Bacteriana

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Esta fotomicrografía, de um espécime de escovado vaginal, mostra duas células epíteliais, uma célula normal e outra célula epítelial com seu exterior recoberto pela bactéria, dando à ela uma aparência rugosa e pontilhada conhecida como “clue cell”. – cdc.gov

Vaginose bacteriana é uma infecção vaginal pouco entendida. Mulheres de qualquer idade podem ser afetadas – mesmo adolescentes ou mulheres que nunca foram sexualmente ativas. Ela tende a ser mais comum entre meninas e mulheres que têm relações sexuais com mais de um parceiro.

O que causa a vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é uma infecção vaginal causada pelo crescimento exagerado de uma bactéria anaeróbica e de um organismo chamado Gardnerella vaginalis. “Anaeróbica” significa que a bactéria não precisa de oxigênio para crescer ou sobreviver. Pequenas quantidades dessa bactéria anaeróbica e da Gardnerella podem ser normalmente encontradas na vagina. Vaginose bacteriana ocorre quando o equilíbrio entre os organismos da vagina é alterado, e a bactéria anaeróbica cresce de maneira exagerada. Assim, a bactéria Lactobacilli, boa e protetora para a vagina,  tem seu número ultrapassado e não é capaz de fazer seu trabalho usual, agindo como um desinfetante natural e ajudando a manter o equilíbrio normal e saudável dos organismos da vagina. Quando isso acontece, uma infecção se inicia.

A causa exata do crescimento bacteriano exagerado é desconhecida. Vaginose bacteriana não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, mas é mais comum em mulheres com múltiplos parceiros. Vaginose bacteriana pode ocorrer também após uma relação sexual com um novo parceiro e após uma ducha vaginal. Mulheres lésbicas também têm vaginose bacteriana, e até mulheres que nunca foram sexualmente ativas também podem apresentar vaginose bacteriana.clue cells vs celulas vaginais normais

Quais são os sinais/sintomas de vaginose bacteriana?

É fato que 50-75% das mulheres que têm vaginose bacteriana não apresentam nenhum sintoma, mas aquelas que têm sintomas geralmente se queixam de um cheiro vaginal de peixe ou de corrimento leitoso ou acinzentado. O corrimento pode ser leve ou forte. O cheiro pode piorar próximo ao período menstrual ou após relação sexual desprotegida. Quando o sêmen (esperma masculino) se mistura com as secreções vaginais, o cheiro fica forte. Sintomas muito comuns incluem: prurido vaginal, vermelhidão e dor com a relação sexual.

Seu médico pode notar corrimento vaginal ou odor forte durante o seu exame pélvico de rotina e, então, realizar um teste dos fluidos vaginais para verificar se o corrimento vaginal tem vaginose bacteriana ou outro tipo de infecção vaginal. Se você apresentar vaginose bacteriana, seu médico lhe dará uma receita para tratá-la.

Como a vaginose bacteriana é diagnosticada?

O único jeito de diagnosticar vaginose bacteriana é pelo exame médico e análise do corrimento vaginal. Seu médico usará um cotonete para retirar um pouco de amostra de seu corrimento vaginal. Ele poderá medir a acidez do corrimento com um papel que mede o pH. Se sua vagina estiver menos ácida do que o normal (pH maior do que 4.5), pode ser um sinal de que você está com vaginose bacteriana. Seu médico poderá olhar a amostra sob o microscópio. Se a bactéria normal (lactobacilli) não estiver presente, mas muitas “clue cells” (células do epitélio vaginal que são revestidas com a bactéria) estiverem presente, você tem vaginose bacteriana.

Como a vaginose bacteriana é tratada?

Se você apresentar vaginose bacteriana, seu médico provavelmente receitará a você um creme vaginal com aplicador ou um comprimido que você tomará via oral. Você deverá avisar para o médico sobre outros medicamentos que você estiver tomando. Se você usar o gel ou creme vaginal , você não poderá usar absorvente durante o tratamento, porque ele irá absorver a medicação e fará com que ela seja menos efetiva. Metronidazol ou clindamicina são dois antibióticos usados no tratamento da vaginose bacteriana. A medicação funciona bem rápido para curar vaginose bacteriana, mas você precisa ter certeza que irá tomar toda a medicação para que ela funcione. Muitas mulheres escolhem o gel vaginal, porque os comprimidos podem causar náuseas e hálito metálico. Outras preferem a medicação oral porque elas não se sentem confortáveis em colocar um creme na vagina. Ambas maneiras são efetivas.

  • Você não deve fazer duchas vaginais ou usar sprays desodorantes. Embora eles possam ajudar a esconder o odor, não irão curar a infecção e podem inclusive piorá-la.
  • Preservativos podem ajudar a diminuir a chance de desenvolver vaginose bacteriana se você for sexualmente ativa, porque ajudam a impedir o sêmen de mudar as bactérias vaginais. Mesmo que a vaginose bacteriana seja mais comum em mulheres jovens que têm relações sexuais com muitos parceiros, o tratamento do parceiro masculino não previne futuras vaginoses bacterianas.

Posso ter vaginose bacteriana novamente?

Infelizmente, a vaginose bacteriana frequentemente volta mesmo que você tome todas as suas medicações e siga os conselhos do seu médico. Se seus sintomas retornarem, consulte seu médico. Você precisará ser tratada duas vezes por semana por um período mais longo.

A vaginose bacteriana poderá causar outros problemas?

A vaginose bacteriana poderá aumentar suas chances de contrair uma infecção pélvica séria chamada doença inflamatória pélvica (DIP), ou uma infecção após cirurgia do útero ou da vagina. Ela também pode aumentar suas chances de ter problemas relacionados à gestação, como recém nascidos com baixo peso ao nascer ou parto prematuro (parto antes de 9 meses como normal). O tratamento é importante em gestantes que tiveram trabalho de parto prematuro no passado. Se a vaginose bacteriana for tratada precocemente, os riscos de apresentar qualquer um desses problemas é baixo.

Existe alguma complicação da vaginose bacteriana se ela não for tratada?

Na maioria das vezes, a vaginose bacteriana é tratada, e não causa problemas. Entretanto, existem algums sérios riscos sobre os quais você precisa saber. Ter vaginose bacteriana coloca você em risco para doenças sexualmente transmissíveis.

Se não tratada, a vaginose bacteriana pode causar doença inflamatória pélvica, a qual pode prejudicar o seu sistema reprodutivo e causar problemas de fertilidade no futuro. Grávidas que têm vaginose bacteriana estão mais propensas a entrar em trabalho de parto prematuro ou a ter bebês com baixo peso ao nascer (< 2.5 kg).

Médicos e cientistas não entendem completamente a vaginose bacteriana, mas eles sabem que existem algumas maneiras simples de diminuir suas chances de desenvolvê-la, as quais incluem: abstinência, uso de preservativos, e o não uso de duchas vaginais. Se você apresentar vaginose bacteriana, assegure-se de tomar toda as medicações que o seu médico prescreveu mesmo se os sintomas desaparecerem antes.